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AFRICANIDADES

EDUCAÇÃO & LITERATURA

JOSUÉ GERALDO BOTURA DO CARMO

 

 

 

 

 

 

 

 

TEXTOS ENVIADOS AOS FÓRUNS DE DISCUSSÃO DO CURSO A DISTÂNCIA EDUCAÇÃO AFRICANIDADES BRASIL

(EAB)

PROMOVIDO PELO MEC - SECAD - UnB - CEAD

FACULDADE DE EDUCAÇÃO

2006

OUTROS TEXTOS

20 DE NOVEMBRO (ROTEIRO)

AFRICANIDADES: O INÍCIO DE UMA DISCUSSÃO CURRICULAR

Professor Josué Geraldo Botura do Carmo e professoras da E.M. Maria das Graças Teixeira Braga na implantação do Projeto Africanidades na E.M. Maria das Graças Teixeira Braga – Santa Luzia – MG. Em 10 de março de 2007.

No dia 10 de março de 2007, aconteceu na Escola Municipal Maria das Graças Teixeira Braga, em Santa Luzia – MG  a reunião de implantação do projeto de intervenção para crianças de primeira infância a quarto ano do ensino fundamental, previsto no Projeto Político Pedagógico da Escola, denominado Africanidades: ações educativas conjuntas que contribuirão para a inclusão social da população afro-descendente da Escola Municipal Maria das Graças Teixeira Braga – Santa Luzia – MG.

Esta reunião contou com a presença de todo o corpo docente e administrativo. Este projeto é o resultado do Curso de Africanidades promovido pela Universidade de Brasília, do qual participaram o professor Josué Geraldo Botura do Carmo, como articulador e as professoras Agda Bernardes Solvelino e Luciana Silva Santos, sob a tutoria da professora Doris Rodrigues, durante o segundo semestre do ano de 2006.

É um projeto que destaca a importância da criança ser bem acolhida na escola principalmente em seus primeiros anos, para que ela possa alcançar o sucesso. Para tanto a escola precisa assumir a sua postura de transformadora, deixando de lado sua cultura reprodutora. Sabemos que a valorização da cultura africana vai contribuir para uma melhor aprendizagem das crianças afro-descendentes. Quando nos sentimos incluídos, participamos e trocamos experiências.

A causa da dificuldade de aprendizagem dessas crianças sempre foi apontada como incapacidade das mesmas, devido mesmo a inferioridade de sua “raça” – e nunca como uma violência simbólica que a escola exerce sobre essas crianças – que se pode classificar como uma forma de incivilidade. Fingimos que isso não acontece.

Este projeto que deverá acontecer através de outros projetos elaborados pelos professores com suas respectivas turmas, durante todo o ano letivo do ano de 2007,  tem como objetivos: Solucionar o problema da baixa auto-estima dos afro-descendentes em nossa comunidade escolar; Conhecer a literatura africana através de análises de suas lendas; Compreender os diversos estilos musicais brasileiros de influência africana; Compreender os diversos estilos de dança no Brasil de influência africana; Compreender a religião africana através de análise de seus mitos; Compreender a diversidade do continente africano em detrimento da imagem de uma unidade do continente africano.

Destacou-se a questão de que não dá para fingirmos que não houve influência dos negros na formação da cultura do povo brasileiro. E esta influência aconteceu através de histórias, memórias e práticas culturais. Lembranças e desejos – patrimônio material e imaterial.

Enfatizou-se a importância de não se trabalhar com esse tema  dentro de uma pedagogia de eventos, mas calmamente, no dia a dia, na valorização da cultura africana. Menos discurso e mais ação concreta, para não cairmos nos erros da indústria cultural com grandes eventos e lindos discursos e no dia a dia continua excluindo os afro-descendentes da sociedade brasileira.

Com o desenvolvimento desse projeto vamos todos juntos procurarmos conhecer a sabedoria do povo africano com muita humildade, pois a África é o berço da humanidade. Os primeiros vestígios da raça humana estão no continente africano.

 

Professoras Ágda Bernardes Sovelino e Luciana Silva Santos à direita do fundo para a frente, com outras professoras na implantação do projeto Africanidades na E.M. Maria das Graças Teixeira Braga – Santa Luzia – MG. Em 10 de março de 2007.

 

 

Visão parcial das professoras da E.M. Maria das Graças Teixeira Braga na implantação do Projeto Africanidades na E.M. Maria das Graças Teixeira Braga – Santa Luzia – MG. Em 10 de março de 2007.

ACONTECEU...

Manuel José Gaspar Taho no dia 5 de outubro de 2007, na E.M. Maria das Graças Teixeira Braga.

No dia 05 de outubro de 2007 recebemos a visita de Manuel José Gaspar Taho para uma palestra ao corpo docente e administrativo da escola. Taho é africano, de Angola, residente há sete anos e meio no Brasil, está cursando o 3º período de Enfermagem na Faculdade de Santa Luzia (FACSAL), em Santa Luzia – MG. Diz gostar muito de falar sobre a sua terra.

Na oportunidade foi apresentado em forma de exposição nos computadores o resultado final do projeto Alfabeto Negro, elaborado pela turma 304 da professora Ivone Ribeiro Sales, em parceria com a sala de informática. Foi mostrada também a galeria de fotos da implantação do projeto de intervenção Africanidades que aconteceu no dia 10 de março de 2007 em nossa escola. Foi exposto ainda o gráfico de levantamento do corpo discente, por etnia, de nossa escola, de acordo com o Censo Escolar de 2007, que nos mostra que 57% dos alunos e alunas de nossa escola declararam-se afro-descendentes.

Taho nos contou da grandeza e riqueza do continente africano em contraste com a pobreza da grande parte de sua população, devido à desigualdade e injustiça social. Ele afirma que o Brasil não tem informação precisa no tocante à Geografia e à História da África, nem através de material didático, nem através da mídia. E tem esperança de que com as ações atuais do governo brasileiro os remanescentes dos quilombos comecem a ser respeitados. Com suas histórias ele nos confirmou a existência da diversidade cultural e da necessidade do respeito a essa diversidade.

Toda palestra aconteceu de modo informal. Para ele não há ressentimentos do povo africano em relação ao povo brasileiro no tocante à escravidão, porque os responsáveis por essa atrocidade foram os europeus.

Por essa ocasião tivemos ainda a apresentação artística de um grupo de dança formado por alunas da turma 802, do primeiro turno da Escola Municipal Miguel Resende, sob a coordenação da professora Fátima Cristina A. L. N. Ribeiro. Este foi um número vencedor do Festival de Dança 2007 da Escola Magnum, que aconteceu no Minas Centro em Belo Horizonte. A coreografia apresentada foi em ritmo afro.